O que é Ensino-Terapia?

Por: Anna Karin Bjornsdotter Lindquist

Professora e psico-sócio-terapeuta sueca do curso de inglês, sueco e alemão na unidade Moema. Artigo originalmente publicado no Jornal STOP edição n° 56

Numa das minhas aulas de inglês na Millennium Línguas, como parte do ensinoterapia que usamos, mostrei o quadro de Catinari (ao lado) e perguntei o que os alunos entendiam. Como já têm certa compreensão da psicopatologia, eles logo notaram o seguinte: a pessoa que aceita se ver com problemas (figura do Adônis, à direita), conserva-se bonita, inteligente e tranquila. Já aquela que deseja se idealizar como perfeita, sem defeitos (figura da esquerda) comete muitos erros, se enfeia e fica muito desagradável. E, se o indivíduo não quer ver nada em seu interior psicológico, (figura central) cai no desespero. A conclusão é que precisamos aceitar ver com calma nossas falhas, para poder corrigi-las, se quisermos ter sanidade, na medida do possível. Os alunos se acalmaram bastante ao perceber isso, e aprenderam inglês com muita facilidade, discutindo esse tema.

Em seguida, lemos o seguinte texto do psicanalista e pedagogo Norberto R. Keppe, criador do Método Psicolinguístico Terapêutico Trilógico que utilizamos na escola: “O ser humano só percebe que é parado quando se põe em ação, só vê o quanto é pecador quando se torna virtuoso – e o contrário também é válido; o individuo preguiçoso se vê superativo, o mentiroso se julga sincero, o agressivo acredita que é de paz – assim como o demônio se acha angelical e o facínora um doador de bens.”

Também lemos este caso clínico, constante do mesmo livro de Keppe:
“- Acabei de realizar o trabalho e fiquei parado até agora, disse o cliente em sua sessão de análise.
-Por que acha que parou? Perguntei.
- Parece que tenho medo de pegar outros trabalhos.
-Parando, o senhor pensa que não comete erros.”
(Norberto R. Keppe, O Universo dos Espíritos)

Estes trechos de Keppe e as vezes da Cláudia Pacheco, que lemos em português e inglês na sala de aula, e o quadro de Catinari são profundamente terapêuticos e mostram muita sabedoria, pois revelam que só o ser humano que está no bem (ação boa, verdadeira e bela) consegue ser consciente, ver o próprio mal e evoluir. De outro lado, a pessoa que está na patologia (preguiça, agressividade) não consegue se ver como é, por falta da prática da ação boa, que justamente fornece a conscientização. Assim sendo, tal pessoa precisa ser ajudada a se conscientizar, como único modo de atingir a sanidade.

O ser humano normalmente se vê muito são, achando que apenas de vez em quando fica doente. Mas, se observarmos bem, veremos que na verdade todos somos neuróticos, em maior ou menor grau.; e quando aparece um indivíduo menos doente (genial) geralmente é atacado, pois traz a consciência de todos os males que dominam a humanidade. Parece uma tragicomédia, mas infelizmente essa é a verdade. E como podemos resolver tal situação? Há uma necessidade muito grande de consciência. Por isso o famoso filósofo grego Sócrates ficou famoso com a sua frase “Conhece-te a ti mesmo”. Mas para haver consciência precisa-se humildade, que nem todo mundo tem.

A pessoa precisa querer se conhecer, aceitar que ainda há muitas coisas que ela não sabe. “A única coisa que eu sei, é que nada sei” (Sócrates novamente). As crianças normalmente aprendem rápido justamente porque não se colocam acima, são mais humildes e querem aprender com os outros. É por esse motivo que na Escola Millennium Línguas utilizamos o método do psicanalista e pedagogo Norberto R. Keppe. Os professores ensinam inglês, francês, espanhol, e outras línguas e trabalham com assuntos terapêuticos na sala de aula. Consequentemente os alunos aprendem a língua muito mais rápido e também fazem uma forma de terapia, obtendo maior conhecimento sobre si mesmo e o mundo. Um trabalho pedagógico verdadeiro que trata de desenvolver o ser humano em todos os aspectos – o afetivo, o intelectual e o estético, melhorando sua saúde e desenvolvimento pessoal.


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